sexta-feira, 9 de junho de 2017

A vida

A vida pode até te derrubar, mas é você quem escolhe a hora de se levantar.

Mr. Han - Karate Kid (2010)



As montanhas da vida não existem apenas para que você chegue no topo, mas para que você aprenda o valor da escalada.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Ainda sonhos

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
– Partimos. Vamos. Somos.

(Sebastião da Gama)





“Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
(…)
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão


sexta-feira, 2 de junho de 2017

A casa das dunas

Era uma vez uma casa branca nas dunas, voltada para o mar. Tinha uma porta, sete janelas e uma varanda de madeira pintada de verde. Em roda da casa havia um jardim de areia onde cresciam lírios brancos e uma planta que dava flores brancas, amarelas e roxas.
Nessa casa morava um rapazito que passava os dias a brincar na praia.
Era uma praia muito grande e quase deserta onde havia rochedos maravilhosos.
Mas durante a maré alta os rochedos estavam cobertos de água. Só se viam as ondas que vinham crescendo do longe até quebrarem na areia com barulho de palmas. Mas na maré vazia as rochas apareciam cobertas de limo, de búzios, de anémonas, de lapas, de algas e de ouriços. Havia poças de água, rios, caminhos, grutas, arcos, cascatas. Havia pedras de todas as cores e feitios, pequeninas e macias, polidas pelas ondas. E a água do mar era transparente e fria. Às vezes passava um peixe, mas tão rápido que mal se via.


Histórias da terra e do mar

A casa do mar 
Havia uma casa construída numa duna que se encontrava isolada de todas as outras. Era feita de pedra e cal e estava virada para o mar. No andar de cima da fachada há três janelas e uma varanda com grades de madeira. No andar de baixo há três janelas e uma porta. A porta, as janelas e as grades da varanda estão pintadas de verde. No chão, ao longo da parede, há um passeio que separa a casa da areia. Para além das dunas, a praia estende-se a todo o comprimento da costa e na areia observam-se búzios, conchas e outras coisas trazidas pelo mar. As traseiras da casa dão para um jardim inculto com um poço no meio e o chão está coberto de pequenas pedras soltas. A roupa lavada, seca ao sol presa num arame. O jardim é limitado por três muros e no fundo, há uma cancela que dá para uma rua deserta. Do lado poente do jardim, avista-se a sul uma cidade. E entre a casa e a cidade, estendem-se as dunas onde crescem os lírios selvagens.
 Nas gavetas, a roupa cheira a maresia e os espelhos reflectem os dias. Os móveis são escuros e finos, o chão esfregado e as paredes caiadas.  Quem entra pelo lado de trás da casa, entra num corredor

A Saga


Este conto narra a história de Hans, um rapaz de 14 anos que sonhava em navegar para Sul num navio, sendo o seu capitão. Hans vivia no interior da ilha de Vig, no mar do Norte, com a sua família: o pai Sören, a mãe Maria e a irmã Cristina. Certo dia, Sören chamou Hans para lhe comunicar que o ia mandar estudar para Copenhaga, com o intuito de impedir o seu filho de seguir o seu sonho.  Sören não concordava com o sonho de Hans, pois os seus irmãos mais novos, Gustav e Niels, tinham morrido num naufrágio. Como viu que o seu pai não o apoiava, Hans decidiu fugir num cargueiro inglês, Angus. Assim, alistou-se como grumete, mas, após a sua primeira paragem, abandonou o navio, pois tinha sido chicoteado pelo seu capitão. Hans, sozinho numa cidade desconhecida, caminhou durante quatro dias, até que conheceu Hoyle. Este armador e negociante inglês acolheu-o, tratou-o como um filho e fez dele, aos 21 anos, capitão de um dos seus navios. Após várias viagens, que Hans contava por carta à sua mãe, Hoyle adoeceu, tornando-o seu sócio e confiando-lhe todos os seus negócios. Hans, agora um dos notáveis da burguesia local, casou-se e teve sete filhos, tendo, no entanto, o primeiro morrido. Alguns anos mais tarde, Hans apercebeu-se de que a sua fuga tinha sido em vão, e sentiu remorsos por deixar a família. Quando adoeceu, antes de  morrer, pediu que construíssem um navio naufragado em cima da sua sepultura. Este estranho pedido foi concretizado, tornando-se num dos monumentos mais famosos da cidade. Reza a lenda que, em dias de temporal, Hans navega nele para Norte, rumando a Vig.