A casa do mar
Havia uma casa construída numa duna que se encontrava isolada de todas as outras. Era feita de pedra e cal e estava virada
para o mar. No andar de cima da fachada há três janelas e uma varanda com
grades de madeira. No andar de baixo há três janelas e uma porta. A porta, as
janelas e as grades da varanda estão pintadas de verde. No chão, ao longo da
parede, há um passeio que separa a casa da areia. Para além das dunas, a praia
estende-se a todo o comprimento da costa e na areia observam-se búzios, conchas
e outras coisas trazidas pelo mar. As traseiras da casa dão para um jardim
inculto com um poço no meio e o chão está coberto de pequenas pedras soltas. A
roupa lavada, seca ao sol presa num arame. O jardim é limitado por três muros e
no fundo, há uma cancela que dá para uma rua deserta. Do lado poente do jardim,
avista-se a sul uma cidade. E entre a casa e a cidade, estendem-se as dunas
onde crescem os lírios selvagens.
Nas gavetas, a roupa cheira a maresia e os
espelhos reflectem os dias. Os móveis são escuros e finos, o chão esfregado e
as paredes caiadas. Quem entra pelo lado
de trás da casa, entra num corredor
A Saga
Este conto narra a
história de Hans, um rapaz de 14 anos que sonhava em navegar para Sul num
navio, sendo o seu capitão. Hans vivia no interior da ilha de Vig, no mar do
Norte, com a sua família: o pai Sören, a mãe Maria e a irmã Cristina. Certo
dia, Sören chamou Hans para lhe comunicar que o ia mandar estudar para
Copenhaga, com o intuito de impedir o seu filho de seguir o seu sonho.
Sören não concordava com o sonho de Hans, pois os seus irmãos mais novos,
Gustav e Niels, tinham morrido num naufrágio. Como viu que o seu pai não o
apoiava, Hans decidiu fugir num cargueiro inglês, Angus. Assim, alistou-se como
grumete, mas, após a sua primeira paragem, abandonou o navio, pois tinha sido
chicoteado pelo seu capitão. Hans, sozinho numa cidade desconhecida, caminhou
durante quatro dias, até que conheceu Hoyle. Este armador e negociante inglês
acolheu-o, tratou-o como um filho e fez dele, aos 21 anos, capitão de um dos
seus navios. Após várias viagens, que Hans contava por carta à sua mãe, Hoyle
adoeceu, tornando-o seu sócio e confiando-lhe todos os seus negócios. Hans,
agora um dos notáveis da burguesia local, casou-se e teve sete filhos, tendo,
no entanto, o primeiro morrido. Alguns anos mais tarde, Hans apercebeu-se de que
a sua fuga tinha sido em vão, e sentiu remorsos por deixar a família. Quando
adoeceu, antes de morrer, pediu que construíssem um navio naufragado em
cima da sua sepultura. Este estranho pedido foi concretizado, tornando-se num
dos monumentos mais famosos da cidade. Reza a lenda que, em dias de temporal,
Hans navega nele para Norte, rumando a Vig.
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