Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a Morte três vezes. E saiu viva das três ocasiões.
Liesel viveu desde sempre na rua Himmel, numa área pobre de Molching, cidade perto de Munique. Horas depois de ver o seu irmão morrer no colo da mãe, a menina foi abandonada e deixada ao cuidado de Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado e uma dona de casa rabugenta. Ao entrar na nova casa, ela levava escondida na mala um livro, "O Manual do Coveiro", o qual tinha sido deixado na neve pelo rapaz que tinha enterrado o seu irmão. Foi o primeiro de vários livros que Liesel roubaria ao longo dos quatro anos seguintes.
E foram estes livros que orientaram a sua vida de naquele tempo, em que a Alemanha era transformada diariamente pela guerra, e a Morte tinha imenso trabalho. O gosto de roubar os livros deu-lhe uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito. E as palavras que Liesel encontrou nas páginas dos livros foram mais tarde aplicadas ao contexto da sua própria vida, sempre com a auxílio de Hans, acordeonista amador e amável, e Max Vanderburg, o judeu do porão, o amigo quase invisível de quem ela prometera jamais falar.
”Quando a morte conta uma história, você tem que parar pra ouvi-la.”
“Talvez esse seja um castigo justo para aqueles que não possuem coração: só perceber isso quando não pode mais voltar atrás.”
“E o riso dela? Era algo absolutamente dominador. Ninguém tinha a menor chance diante dele.”
“Com um sorriso desses você não precisa de olhos…”
“O ser humano não tem um coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A consequência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiúra e sua beleza, e me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas. Mas eles tem uma coisa que eu invejo. Que mais não seja, os humanos têm o bom senso de morrer”
“Apesar da ameaça. Sou só garganta.. Não sou violenta. Não sou maldosa. Sou só um resultado.”
“Não me façam feliz. Por favor, não me saciem nem me deixem pensar que alguma coisa boa pode sair disso. Olhem para meus machucados. Olhem para este arranhão. Estão vendo o arranhão dentro de mim? Estão vendo ele crescer bem diante dos seus olhos, me corroendo? Não quero ter esperança de mais nada.”
O que uma pessoa diz e o que acontece costumam ser duas coisas diferentes.
” As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa. Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes.
Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas. No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.”
“Algumas pessoas passam por sua vida, outros a acompanham até que não lhes seja mais possível, outro estão mais perto do que parecem.”
Markus Zusak, A rapariga que roubava livros

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