"Meu nome é Caidé e sou,
segundo me dizem, um cocker de muito bom parecer.
Cocker é nome de família,
família inglesa, aliás, embora os meus donos entendam quecocker é uma raça de
cão a que eu pertenço. Podia desmenti-los e argumentar que,sendo a minha mãe
uma cocker e o meu pai outro tanto, deles herdei o nome defamília ou o apelido.
E a raça? Naturalmente, raça de cão, como me grita a porteira cádo prédio,
quando se zanga.
Chamo-me, portanto, Caidé,
Caidé, sem mais nada, se bem que merecesse, cá nomeu entender, títulos – como
direi? – títulos com mais pompa. Isso com mais pompa,com mais nobreza, com mais
distinção. Mas não pensaram assim os meus donos…
– Fica Caidé – decidiu a
minha dona, pondo fim a uma disputa em que se tinham cruzado no ar, sobre a
minha dócil cabeça de cachorrinho de leite, os nomes mais estapafúrdios,mais
patetas, mais ridículos, que já alguma vez os humanos, os mais malucosdos
humanos, em dia de aselhice inventaram.
E Caidé fiquei. Para um
cocker ilustre, com pais, avós, bisavós carregados de prémios, ganhos em
exposições caninas, das que dão fama e honra aos canídeos que nela participem,
Caidé não será, realmente, o nome que mais convém, mas que remédio senão
conformar-me…
(…)
Eu, Caidé Cocker ou só
Caidé, para amigos, tenho participado em várias e curiosas aventuras. Vou
narrá-las o melhor que sei, com toda a franqueza. Espero, no fim, os vossos
juízos. Ora tomem atenção.
Foi, como calculam, um caso
de naufrágio, com alguns riscos e alguns transtornos…
Passou-se também no tal
jardim, onde às vezes vou com a minha dona. Foi ao fim da tarde. No jardim há
um pequeno lago com um repuxo ao meio, quase sempre sem repuxo. Enquanto a
minha dona descansa, sentada num banco do jardim, a ler, eu, nas minhas voltas,
nunca perco a ocasião de ir até à beira do laguinho mirar-me. Gosto de me ver
refletido na água, focinho bonito, orelhas pendentes e felpudas, olhos de
amêndoa doce… Vaidades."
António Torrado, As
aventuras de Caidé, Civilização Editora
James Bowen viveu muitos
anos nas ruas de Londres lutando contra a dependência das drogas e tentando
encontrar um meio de resolver a sua vida. Devido a todos os problemas que possuía,
a última coisa que ele precisava era de um
animal de estimação.
Foi no Inverno, que James
encontrou um gato de rua laranja nos corredores do prédio em que residia. Por
conviver com felinos por grande parte de sua vida, James resolve acolher o
animal até ele estar forte novamente para voltar para sua vida nas ruas.
Mas à medida que os dias
passam, o pequeno felino laranja não demonstra sinais de querer ir embora dali.
Intrigado, James resolve deixar o gato ficar, até a hora que o mesmo decida
seguir o seu caminho. Porém, o gato segue-o por todo o lado e começa-se a
formar uma forte amizade entre ames e o seu novo companheiro felino Bob que se
tornam inseparáveis.
"Estava sozinho e, por mais estranho e insondável
que isso possa parecer para a maioria das pessoas, a heroína era minha
amiga"
"Deram-me um monte de oportunidades, às vezes a cada dia. Por um longo tempo, falhei em não agarrar nenhuma delas, mas depois, no início da primavera de 2007, isso finalmente começou a mudar. Foi quando fiz amizade com Bob."

"É uma tarde de outono em
Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de
todos os lados e clientes entram e saem das lojas. No meio de tudo isso está um
gato. Usando um lenço vistoso Union Jack à volta do pescoço e rodeado por uma
multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja,
sorri — é, sorri — timidamente. Próximo a ele, está o seu dono James Bowen, com
seu violão surrado, a cantar. Então, ele para de tocar e inclina-.se em direcção
a Bob: “Vamos, Bob, cumprimente!”, diz. Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e
estende-a para James. A multidão assobia. Não é todo dia que se vê um gato
sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se preocupar com o
barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento — mas Bob não é
um gato comum..."